• Carol Dalto

JERUSALÉM – A cidade Sagrada

Neste post falarei um pouco mais de como foram nossos dias em Jerusalém.

Para quem perdeu o primeiro post sobre dicas gerais em Israel (clique aqui).



A CIDADE


Jerusalém fica localizada em um planalto nas montanhas da Judeia entre o Mediterrâneo e o mar Morto. É uma das cidades mais antigas do mundo e considerada sagrada pelas três principais religiões abraâmicas — judaísmo, cristianismo e islamismo. Israelenses e palestinos reivindicam a cidade como sua capital, mas Israel mantém suas principais instituições governamentais em Jerusalém, enquanto o Estado da Palestina, em última instância, apenas a prevê como a sua futura sede política.


Eu não sei bem o que estava esperando de Jerusalém, achava que a cidade seria interessante, curiosa, mas ela me surpreendeu muito! Chegar próximo das muralhas que cercam a cidade antiga, andar por suas ruelas com chão de pedra e ficar imaginando tudo o que se passou lá é quase surreal. Isso tirando o fato de que naquela área religiões com valores e costumes tão diversos conseguem conviver em certa harmonia. Pensando no mundo mais intolerante e sem empatia que vivemos atualmente isso me tocou muito.



ROTEIRO


Relembrando o roteiro que fizemos, já que estávamos com os dias contados.

· Jerusalém: 4 dias inteiros

· Jordânia: 3 dias inteiros

· Tel Aviv: 2 dias e meio

*Aqui não estou levando em consideração os dias de deslocamento.



ONDE FICAR?


Para quem não sabe Jerusalém se divide entre cidade antiga (Old Town) e a parte mais nova, e foi perto da parte histórica que decidimos nos hospedar.

Em Jerusalém ficamos hospedados no Ibis City Center Jerusalém, há aproximadamente 10 minutos andando do Portão de Jaffa, uma das principais entradas da cidade antiga. A localização era excelente, pois próximo a ele tem casas de câmbio, farmácias, restaurantes, bares, mercados e tudo mais que um viajante possa precisar. Achamos de um modo geral os hotéis caros em Jerusalém, e o Ibis acabou tendo um bom custo benefício.


Próximo ao Portão de Jaffa fica o Mamilla Mall, uma rua/shopping com diversas lojas e restaurantes, alguns deles com vista para a cidade antiga. Aproveitamos um dos finais de tarde em que estávamos por lá e fomos em um deles para aproveitar o por do sol.




E PARA CHEGAR EM JERUSALÉM?


Saímos do Brasil por São Paulo - Aeroporto de Guarulhos - e chegamos em Tel Aviv por um voo direto da Latam. Levamos um pouco mais de 15 horas em um o voo bem tranquilo!


No Aeroporto de Tel Aviv pegamos um Shuttle até Jerusalém, pois nossa viagem se iniciaria por lá. Expliquei no primeiro post, mas vou colocar aqui novamente porque achamos essa dica boa. O Shuttle fica localizado no desembarque, então assim que você sai repare em uma placa “Shuttle Service”. Você segue a placa, passa pela porta e do lado de fora tem várias vans com os motoristas próximos.

Funciona da seguinte maneira, eles esperam a van encher e saem com ela para Jerusalém te deixando no seu hotel. O preço é de 67 Shekel ou 20 Dólares por pessoa. Demos sorte que quando chegamos tinha uma van com apenas dois lugares sobrando, então saiu rapidinho.


Nessa área do desembarque já aproveitei e comprei o meu chip do celular de uma empresa que chama 019 Mobile. Paguei por 20 dias e 20GB de internet 262 Shekels (aproximadamente 69 dólares). Achei caro, mas funcionou muito bem!!!


O vídeo abaixo mostra a localização da loja em que compramos o chip de celular e o local onde se localiza o Shuttle Service.





CLIMA – CALOR? FRIO?


Fomos em Junho, sabíamos que seriam dias quentes, mas gente, estava muito calor!

Jerusalém fica mais no alto, então durante o dia as temperaturas eram um pouco mais elevadas, porém a noite fazia um friozinho de usar casaquinho ou suéter.

A temperatura não atrapalhou, mas acho que ir em uma época de primavera ou outono deva ser mais agradável.



DAY BY DAY


DIA 1

Viajamos com um casal de amigos que chegariam no final desse dia, então aproveitamos esse primeiro dia livre para fazer algum programa mais tranquilo.

Fomos ao Museu de Israel (https://www.imj.org.il/em) pela manhã – 54 Shekel por pessoa.

Pegamos um ônibus próximo do Hotel que nos deixou em frente ao museu. O transporte público de Jerusalém funciona bem e é bem fácil de usar.

No museu tem a famosa maquete de Jerusalém, com o Templo, os pergaminhos do Mar Morto, algumas galerias mostram o Judaísmo em vários países e é lá que fica uma das esculturas de Robert Indiana, o Ahava (LOVE), igual àquela de Nova York.

Eu queria ter tirado uma foto com ela (#blogueirinha), mas quando pesquisei tinha entendido que ela ficava no Museu do Holocausto, resultado #nopicture.



Museu de Israel - O Modelo do Segundo Templo de Jerusalém recria a cidade de 66 d.C.

Museu de Israel - Museu de Israel - O Modelo do Segundo Templo de Jerusalém recria a cidade de 66 d.C. | Créditos foto: Trip Advisor

A tarde aproveitamos para começar a conhecer um pouco do Cidade Velha e fomos por conta própria bater perna.

Como era sexta-feira sabíamos que próximo do horário do Shabat alguns dos restaurantes começariam a fechar. Então no meio da tarde fomos a pé até a First Station, uma antiga estação de trem que foi transformada em um local com restaurantes, lojinhas e uma área central de apresentações. Quando chegamos lá estava tendo uma apresentação – bastante animada – de música hebraica. Sentamos em um dos bares próximos e ficamos curtindo até o encerramento.

Em relação ao Shabat, não são todos os restaurantes que fecham, mas sempre vale a pena pesquisar se aquele que você quer ir, ou naquela região em que você estiver terá algum aberto, na First Station por exemplo tem algumas boas opções!






DIA 2

Com a “equipe” de viagem completa nesse primeiro dia havíamos combinado de ir à Belém na Palestina.

Para esse passeio conversamos com o nosso guia Márcio (que nos acompanharia nos passeios nos dias seguintes) que nos indicou um motorista árabe para nos levar até Belém, isso porque israelenses/judeus não podem entrar no território Palestino.



Placa na estrada entrando no território Palestino - "A entrada para cidadãos Israelenses é proibida..." - Foto: Carol Dalto


Belém fica há mais ou menos 20 minutos da cidade antiga, então é um passeio relativamente rápido.

Pois bem, o valor combinado foi de 100 dólares para nos levar até lá (achamos caro, mas né, quem está na chuva é pra se molhar...) e lá pegaríamos um guia que nos levaria até a Igreja da Natividade, local onde Jesus teria nascido. Porém justo no dia que fomos, o local exato do nascimento estava fechado e só iria abrir 3 horas depois! Parece que isso só acontece 2 vezes ao ano, então tivemos muito azar! Conseguimos entrar na Igreja e só.

Conversamos com nosso motorista para ver se ele poderia nos esperar, porém além dele não se demonstrar muito amigável ainda queria cobrar quase 250 Shekels a mais... enfim... Acabamos não esperando infelizmente.

Mas tirando essa confusão é muito interessante conhecer um território palestino. Tinha aquela visão preconceituosa sobre o lugar, e fiquei até surpresa com as duas cidades que conheci.


Outros lugares a se visitar: Gruta do Leite; The Walled Off Hotel (hotel que pertence ao famoso artista Bansky – e segundo algumas reportagens é um dos hotéis com a pior vista do mundo) que fica de frente para o muro.

Fotos: Rua em Belém / O Muro / Hotel: The Walled Off Hotel



Fotos: Igreja da Natividade vista de fora e por dentro.



No nosso caso esse passeio pra Belém durou uma manhã, porque encaixamos Jericó (também na Palestina) no dia seguinte, mas vi que várias pessoas fazem essas duas cidades no mesmo dia, então fica a dica. E se fosse de novo acho que faria dessa maneira.


Outra dica, na Igreja da Natividade os homens não entram de bermuda. Rodrigo obviamente estava com as pernas de fora e o guia nos emprestou um lenço e ele pôde entrar com uma saia/lenço ao redor das pernas.


À tarde voltamos a Jerusalém e fomos novamente à Cidade Velha para almoçar, e aqui quero fazer uma recomendação para o MELHOR SHAWARMA DE FALAFEL DA VIDA!!! Um restaurante simples, na parte árabe, próximo a Igreja do Santo Sepulcro que chama Aladin (infelizmente não anotei o endereço e não consigo achar no Google Maps). Sentamos lá sem querer, e gente, que delícia! Só de lembrar me dá água na boca. Gostamos tanto que voltamos no dia seguinte!



DIA 3

Nesse dia reservamos para fazer um tour guiado por Jerusalém, e foi demais!

Alguns locais eu acho imprescindível fazer uma visitação guiada, e Jerusalém é um deles. É muita história para simplesmente você só andar pela cidade e se dar por satisfeito.

Optamos por contratar um guia para nós 4 e de preferência que fosse brasileiro. Já do Brasil entramos em contato com o Márcio Kramer e reservamos duas datas com ele, e gente, posso falar, valeu a pena! O Márcio é um brasileiro que mora em Israel há mais de 20 anos, então foi muito interessante além dos fatos históricos termos a visão política de alguém que mora lá.

Ele nos pegou próximo a Cidade Antiga e começamos o passeio pelo Monte das Oliveiras, de onde se tem aquela visão tão famosa da cidade.



Vista de Jerusalém do Monte das Oliveiras - Foto: Carol Dalto

De lá passamos pelo Jardim de Getsemani, e depois iniciamos o tour pela Cidade Antiga.

Fizemos a Via Dolorosa, Igreja do Santo Sepulcro, Muro das Lamentações, passeamos pelas ruelas da cidade, com o Márcio sempre nos contando e ensinando algo interessante.

Por exemplo, vocês sabiam que dentro da cidade velha tem uma igreja Anglicana que tem o intuito de converter judeus ao anglicanismo?! A história de Jerusalém é simplesmente demais!


Foto: Jardim de Getsemani / Em frente a Igreja do Santo Sepulcro / Vista do Muro das Lamentações / Estação III da Via Dolorosa




Terminamos o passeio no final do dia indo ao Yad Vashem – Museu do Holocausto (https://www.yadvashem.org).

A entrada é gratuita. Demos um pouco de azar porque o museu estava muito, mais muito cheio no horário que fomos, a ponto de em algumas galerias quase não conseguirmos andar. Mas mesmo com a lotação é um museu bastante impactante, com fotos, depoimentos e vídeos da época que mostram todo o horror que foi o Holocausto.

Do Yad Vashem pegamos o trem de superfície e fomos para o Hotel.



DIA 4

Esse seria o nosso último dia em Jerusalém, e como já pegaríamos o carro alugado aproveitamos para fazer o passeio para Masada, Mar Morto e Jericó, e o Márcio nos acompanhou novamente nesse trajeto.

Pegamos o carro logo pela manhã e já seguimos rumo a Jericó.


Jericó é território Palestino, assim como Belém, porém aparentemente mais friendly, porque Márcio entrou conosco e não tivemos problema. Lá em Jericó que fica o Rio Jordão, onde Jesus foi batizado.

Para quem deseja realizar o batismo pode ser comprado uma bata na loja próxima ao rio.



Rio Jordão - Do outro lado já é território Jordaniano - Foto: Carol Dalto

Rodrigo realizando seu auto batismo no Rio Jordão - Foto: Carol Dalto

De Jericó partimos para Masada, antigo castelo de Herodes que serviu de fortaleza para os judeus por 3 anos quando eles fugiram do domínio romano. Fica localizado no alto de uma montanha, e você chega lá por um teleférico.

Hoje existem praticamente só ruínas, então por isso é um passeio legal de se fazer guiado.

No dia que fomos estava muito calor. Então se atente a isso quando for visitar!





Saindo de lá fomos para Ein Bokek, localizada às margens do Mar Morto e lá realizamos nosso mergulho no “mar”mais salgado. Na verdade, o Mar Morto não é um mar, é um grande lago, e segundo o Márcio, a cada ano que passa ele vem diminuindo cerca de 1 metro, e um dos motivos seria a exploração e diminuição do fluxo do Rio Jordão. Parece que já tem alguns projetos para tentar reverter esse processo, mas aparentemente ainda não foram iniciados. O Mar Morto fica a mais ou menos 400 metros abaixo do nível do mar.

Se você deseja passar uns dias as margens desse Mar, em Ein Bokek existem vários hotéis, shoppings, e chegamos até pensar em nos hospedar lá, já que seria metade do caminho até a fronteira com a Jordânia. Porém quando decidimos já não encontramos opções de hotéis tão interessantes e acabamos desistindo.


E se passar por lá não deixe de dar um mergulho e tirar uma foto!


Uma dica: leve chinelo ou aquelas sapatilhas de mergulho, pois o sal do fundo pode machucar o pé. E eu já havia entrado na Laguna Tebenquinche no Atacama (que tem uma alta salinidade), e após limpar meu corpo com água potável a minha pele ficou extremamente ressecada, algo que não aconteceu no Mar Morto. Foi muito impressionante! Sou dermatologista, levei um tubo de creme, porém após me lavar com água potável a minha pele estava extremamente macia e hidratada. Impressionante!!!

Em Israel você encontra várias marcas de cosméticos que usam todo o “poder” do Mar Morto, não deixe de trazer esse souvenir.

Lembrando que devido a alta salinidade eles não recomendam molhar a cabeça ou os olhos, e há um tempo máximo em que você deve permanecer submerso.



Boiando no Mar Morto - Foto: Carol Dalto


Finalizado o mergulho rumamos de volta a Jerusalém, para no dia seguinte seguirmos para a Jordânia.



TOP DICAS


-Como mencionei no texto, eu teria feito Belém e Jericó no mesmo dia, porque dá tempo. Ficaria um dia mais puxado, mas senti que perdemos uma tarde.

-Visitar a parte norte - Acabamos não indo, mas acho que vale a pena.

-Alugamos o carro pelo Rental Cars e vimos a locadora mais próxima do hotel.

-Estradas de Israel: são ótimas e bem sinalizadas! Não tem pedágio, apenas a estrada de número 6 é pedagiada, mas não a pegamos.

-Se jogue na culinária local: falafel, homus, pão pita, shawarma... Dá água na boca só de lembrar!

-Em Israel NÃO TEM UBER!!! Whaaaat???? Pois é, não tem! Não sei o porquê! Mas baixei um app chamado “Gett”, e deu tudo certo!


NÃO CURTI

-Nosso guia de Belém.


Minha dica é: converse com seu guia, deixe valores bem explicados, tempo do passeio, o que está incluso e o que não está. Nos sentimos extremamente enganados nesse dia, mas paciência e vidaviagem que segue!



NEXT STOP: Jordânia!!!

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Carol

Viajante insaciável, sempre em busca de uma promoção ou imaginando novas aventuras!

​Médica de segunda a sexta!

 

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